quarta-feira, 23 de março de 2016

Miuccia Prada também dá sua opinião sobre: "See Now, Buy Now"


O novo modelo de calendário da moda conhecido como "see now, buy now", continua em discussão. Agora foi a vez de Miuccia Prada, uma das mais respeitadas estilistas da atualidade, que comanda Prada e Miu Miu, falar sobre o assunto em uma entrevista exclusiva com o WWD, direto da sede do Grupo Prada em Milão. 
Lembrando que a designer colocou algumas bolsas da Prada para serem vendidas logo após o show de inverno 2017. 

"Nós pensamos muito sobre isso (a coleção vendida imediatamente após o desfile), mas os jornalistas precisam ver (a coleção), os compradores precisam comprá-la... Até o momento, não conseguimos ver um sentido para isso. Em seis meses, todo mundo fica sabendo de tudo. Certamente, a nossa forma de trabalhar, com tecidos feitos por nós, que levam dois meses para serem criados, dois meses para a produção ... Demoramos cerca de quatro meses para produzir tudo do desfile até a chegada na loja, para fazer isso de fato bem. Você pode fabricar tudo de qualquer maneira e segurar a divulgação até meses depois; fingir que acabou de ser feito; mas com uma coleção que você cria pelo coração - que tipo de entusiasmo que você pode ter de mostrá-la no desfile? Você vai congelá-la? É um pouco estranho. Você acaba comprando apenas itens seguros; é menos criativo e menos interessante. É verdade que a criatividade está em risco. Ou então você terá que bloquear a comunicação, o que seria contra a tendência. Todos devem ficar em silêncio durante quatro meses, desde os produtores de tecidos até os compradores e jornalistas? Ainda estou para entender como isso pode funcionar", desabafou.
As associações de moda italianas e francesas já manifestaram uma opinião negativa sobre esta questão, enquanto os americanos têm uma opinião diferente, mas eles ainda estão avaliando ideias diferentes.

Miuccia lembrou o fato de o mundo viver um novo momento. "É tudo tão dinâmico agora. Tudo está mudando, não sabemos onde e não sabemos como, na política, na sociedade, nos novos meios de comunicação, então foi muito importante para mim (com a coleção masculina apresentada em janeiro) me perguntar quem somos, de onde viemos e para onde estamos indo". 

A estilista ainda comentou sobre o que a irrita na moda: "Me irrita quando algo que não tem valor é bem sucedido, eu confesso. Eu nunca tenho inveja daqueles que são talentosos - pelo contrário, eu os aprecio e os reconheço. Mas quando alguém ou uma marca que eu não respeito é bem-sucedido, isso me incomoda. Eu lamento que as pessoas não entendem a superficialidade. Eu gosto de risco, eu gosto de inteligência (...). Há aqueles designers que copiam minhas criações e ninguém vê. Isso me irrita. Os designers que gastaram suas vidas copiando um pouco aqui e um pouco lá e passam como criativos, bem, isso me incomoda".

Desfile Prada, inverno 2017 (Foto: Divulgação)
VogueDesfile Prada, inverno 2017 (Foto: Divulgação)