sábado, 19 de março de 2016

Renata Abranchs fala sobre o novo calendário da moda - See now, buy now!

Nessa quinta-feira 17, a fundadora do RIOetc e embaixadora de moda do SENAC, Renata Abranchs, deu entrevista à Revista Glamour sobre o novo sistema no calendário dos desfiles - See now, buy now - e seu impácto na moda brasileira.


Renata Abranchs, fundadora do RIOetc (Foto: Tiago Petrik/ Divulgação )
Renata Abranchs, fundadora do RIOetc (Foto: Tiago Petrik/ Divulgação )

Em tempos de mudanças drásticas na moda- grifes como Burberry, Michael Kors e Tom Ford agora desfilam coleções que vão direto às lojas - Glamour conversou com Renata Abranchs, fundadora e mentora do RIOetc, sobre os efeitos do novo calendário internacional na moda brasileira. Além disso, ela dá sua opinião sobre como o Fashion Rio deveria ser - até o momento ele continua "interditado" - e o que a moda brasileira tem de atraso. Leia!

Glamour: Como você enxerga o movimento “See now, buy now”?
Renata Abranchs: Acho legítimo a moda se ajustar às novas demandas do mundo, que é impulsionado por uma geração que já nasceu conectada e com espírito de urgência. Em tempos de Snapchat e Periscope, faz sentido repensar o modelo, e portanto, os processos.

G: Por que você acha que várias marcas de luxo internacionais – como Dior e Chanel – são contra o movimento?
RA: Como representantes mor de uma era de marcas que deram sentido a todo um sistema pautado pela tradição e excelência, elas lideram, naturalmente, o papel da resistência. Seguem firmes em suas crenças.
G: O que deve mudar na moda brasileira quando o SPFW adotar o modelo em 2017?
RA: Enxergo aí uma grande oportunidade de expansão do potencial criativo das nossas marcas somada a uma gestão mais dinâmica. O resultado vai ser o fortalecimento das marcas autorais e a maior intimidade na relação dessas marcas com seus seguidores.
G: Pra grifes brasileiras que ainda não se consolidaram no mercado nacional, seguir o modelo “see now, buy now” traz mais problemas do que benefícios? 
RA: Mais benefícios. Sem dúvida o processo de criar, produzir e vender pra "pronta entrega" é muito mais simples e preciso do que o de uma coleção que vai ser entregue um ano um ano após o primeiro rascunho. Frescor é sempre o ingrediente mais interessante.
G: O que a moda brasileira ainda tem de atraso?
RA: O vício de copiar e/ou supervalorizar o que vem de fora.
G: Em contrapartida, de que forma ela é única?
RA: Vivemos imersos num manancial de cores e diversidade, numa riqueza cultural arrebatadora. Por isso, somos donos do gosto pelas misturas, pelas combinações mais destemidas, pelas estampas em escalas inimagináveis. E ainda por cima gostamos muito de gente! Ó que maravilha! Nossa vocação pra seduzir, misturando moda e arte é grande. Ainda tem um universo de possibilidades a ser desbravado. É a hora de mudar definitivamente o olhar pra essa nova perspectiva.
G: Como você acha que deveria ser o novo Fashion Rio, se ele voltar a existir?
RA: Uma grande colaboração entre pequenos, médios e grandes criadores, marcas, designers , empresários, comunicadores, artesãos, educadores e consumidores unidos pelo compromisso com uma moda justa, inclusiva, autoral e com propósitos bem maiores do que vender, vender, lucrar...
- No dia 14 de abril, Renata vai conduzir uma palestra sobre a temporada de outono/inverno 2017, no que diz respeito aos temas, looks, estampas, cores, acessórios, comportamentos emergentes e influências artístico-culturais. A palestra acontece no Espaço Itaú de Cinema, em Botafogo, das 8h às 13h. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail: contato@renataabranchs.com.br. 
Glamour - Manuela Almeida